Políticas de Saúde no Brasil – contexto – Pós-constituinte

Filipe Moraes
José Douglas
Manoela Karla
Roseane Tibúrcio

ASPECTOS POLÍTICOS, SOCIAIS, ECONÔMICOS E CULTURAIS.

O processo de constituição do Estado Assistencialista no Brasil teve início a partir dos anos 90, em decorrência da predominância dos imperativos das políticas neoliberais. Segundo Couto (1998) a nova constituição nasceu no momento em que agonizava um modelo de Estado e de desenvolvimento econômico que alcançara um considerável sucesso: o nacional-desenvolvimentista. Em função desse esgotamento os anos subsequentes, seriam marcados pela construção de um novo modelo, orientado para o mercado e mais adaptado às novas condições do ambiente econômico internacional.

Os anos 90 começaram com instabilidade, com o confisco de poupanças do presidente Fernando Collor. Os negócios escusos de Collor mais tarde levariam milhares de jovens (mobilizados por uma forte campanha de mídia) a criarem o movimento “Caras Pintadas” e pedirem seu impeachment.

No governo seguinte Itamar Franco, o país experimentou estabilidade econômica e crescimento com o Plano Real (1994), que igualava a paridade da moeda e do dólar por meio de uma banda cambial. O Ministro da Fazenda que implementou o Real,Fernando Henrique Cardoso, se elegeria presidente por duas vezes seguidas naquela década, ganhando sua reeleição após mudar a Constituição. O sistema de bandas cambiais mostrou fragilidades ao fim da década, tendo impactos no aumento da pobreza Com as reservas cambiais comprometidas, amoeda tornou-se flutuante em janeiro de 1999, após não suportar as pressões especulativas junto à crise Russa de 1998. Apesar de todas as dificuldades esse período foi marcado pela estabilidade econômica que foi resultado de uma política extremamente criticada de privatizações, empréstimos, implantação de impostos e outras medidas.

Durante esse período houve também a implantação do SUS, que em meio a dificuldades, a poucos investimentos foi se estabilizando e hoje, apesar dos problemas da própria conjuntura político-social, demonstra-se como algo de suma importância para o desenvolvimento do país.

A cultura brasileira tornou-se mais valorizada, com a ressurreição do cinema e a boa recepção de músicos brasileiros no exterior.

MÚSICA

Na década de 90 aconteceu um grande movimento musical que teve forte expressão para o cenário cultural do Brasil, o mangue beat um movimento contracultura em Recife, que mistura ritmos regionais, como maracatu com rock, hip hop, funk e música eletrônica. Tendo como principais criticas o abandono econômico-social do mangue e da desigualdade social de Recife, um reflexo, salientando o descaso do estado fora do eixo Rio-São Paulo.

O manguebeat tem como ícone o musico Chico Science ex-vocalista da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo e principal divulgador das ideias do manguebeat. Sem esquecer de Fred 04 vocalista da banda Mundo Livre S/A que também é idealizador e responsável pelo crescimento do movimento, autor do primeiro manifesto mangue em 1992, intitulado” Carangueijos com cérebro”.

O movimento mangue beat também contribuiu com outras formas de manifestações culturais, como teatro, moda, e artes plásticas,tendo forte influencia para que outras bandas também ganhassem espaço na cena musical de Pernambucana. Como Mestre Ambrósio, Faces do Subúrbio, Mundo Livre S/A, Chek Tosado, Eddie, Via Sat, Querosene Jacaré, Jorge Cabeleira e outras bandas.

A Nação Zumbi perde Chico Science vítima fatal de um acidente de carro, o movimento mangue beat ganha outros contornos, mas sempre retratando em suas letras o contexto de uma realidade social.

 

A cidade
              Chico Science

O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior

CINEMA

A extinção da lei Sarney, decretada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1990 da Embrafilme e da Fundação do Cinema Brasileiro, os órgãos federais que apoiavam a produção cinematográfica brasileira, foi a pá de cal sobre uma estrutura que já há algum tempo não funcionava a contento, sendo questionada por amplos setores da sociedade, inclusive por boa parte dos cineastas.

Mas Collor, ao invés de reformular esta estrutura ou substituí-la por uma nova, tão somente acabou com ela e não se preocupou mais com a questão. O processo, devemos lembrar, foi conduzido pelo cineasta Ipojuca Pontes, então secretário de Cultura do governo federal, que via no mercado a solução para todos os problemas do cinema brasileiro. O fim da reserva de mercado para o filme brasileiro fazem a produção cair quase zero. A tentativa de privatização da produção esbarra com a inexistência de público num quadro onde é forte a concorrência de filmes estrangeiros, da televisão e do vídeo. Uma das saídas é a internacionalização. Seguiu-se um período de penúria total, no qual o Brasil produziu entre dois ou três filmes de longa-metragem por ano. Somente em 1993, já no governo Itamar Franco, é que através de novas leis federais de apoio à produção, baseadas na renúncia fiscal, assistimos a uma lenta retomada da atividade.

A partir de 1993 há uma retomada da produção, através do programa Banespa de incentivo a indústria cinematográfica e do premio resgate cinema brasileiro instituído pelo ministério da cultura. Diretores receberam financiamentos para produção, finalização e comercialização dos filmes aos poucos as produções foram aparecendo.

Filmes como,Bicho de 7Cabeça, Tieta do agreste, Carandiru, Cidade de Deus, Baile Perfumado, Cazuza,Eu Te Amo, Feliz Ano Velho, A Hora da Estrela, O Homem que Virou Suco, Amor Estranho Amor, A Marvada Carne, A Menina do Lado, Beijo no Asfalto, Vera, Um Trem para as Estrelas, etc…

TEATRO ANOS 90

Década de 90 – No campo da encenação, a tendência à visualidade convive com um retorno gradativo à palavra por meio da montagem de clássicos. Dentro dessa linha tem destaque o grupo Tapa, com Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues e A Megera Domada, de William Shakespeare. O experimentalismo continua e alcança sucesso de público ecrítica nos espetáculos Paraíso Perdido (1992) e O Livro de Jô(1995), de Antônio Araújo. O diretor realiza uma encenação ritualizada e utiliza-se de espaços cênicos não-convencionais– uma igreja e um hospital, respectivamente. As técnicas circenses também são adotadas por vários grupos. Em 1990 é criado os Parlapatões, Patifes e Paspalhões. A figura do palhaço é usada ao lado da dramaturgia bem-humorada de Hugo Possolo, um dos membros do grupo. Também ganha projeção a arte de brincante do pernambucano Antônio Nóbrega. O ator, músico e bailarino explora o lado lúdico na encenação teatral, empregando músicas e danças regionais. Outros nomes de destaque são Bia Lessa (Viagem ao Centro da Terra) e Gabriel Villela (A Vida É Sonho). No final da década ganha importância o diretor Sérgio de Carvalho, da Companhia do Latão. Seu grupo realiza um trabalho de pesquisa sobre o teatro dialético de Bertolt Brecht, que resulta nos espetáculos Ensaio sobre o Latão e Santa Joana dos Matadouros. 1993 – O diretor Zé Celso reabre o Teatro Oficina, com a montagem de Hamlet, clássico de Shakespeare. Zé Celso opta por uma adaptação que enfoca a situação política, econômica e social do Brasil.1998 – Estreia Doméstica, de Renata Melo, espetáculo que tem forte influência da dança. Essa encenação dá sequência ao trabalho iniciado em 1994, com Bonito Lampião. Sua obra se fundamenta na elaboração da dramaturgia pelos atores, por meio do estudo do comportamento corporal das personagens. 1999 – Antunes Filho apresenta Fragmentos Troianos, baseada em As Troianas, de Eurípedes. Pela primeira vez, o diretor monta uma peça grega. Essa montagem é resultado da reformulação de seu método de interpretação, alicerçado em pesquisas de impostação da voz e postura corporal dos atores.

SAÚDE

 

Na década de 90 houve a implantação do SUS que tinha por princípios o atendimento público e gratuito. Não poderia haver cobrança de espécie alguma, pois o SUS era mantido com os impostos. O SUS ofereceria consultas, exames, interação, não importa em que esfera municipal, estadual ou federal ou até mesmo aquela clinica privada que prestaria serviço pro SUS. O SUS buscava com isso tornar universal e igualitário o atendimento a saúde. Qualquer pessoa que fosse ao SUS teria direito ao mesmo atendimento.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

COUTO, G. C. A longa constituinte: reforma do estado e fluidez institucional no Brasil. Dados, Rio de janeiro, v. 41, n. 1, 1998.

http://pt.scribd.com/doc/42754201/TEATRO-ANOS-90: Website acessado em 12/04/2012

http://www.mnemocine.art.br/index.php?option=com_content&view=article&id=58:brevpanoramacinemabras90&catid=35:histcinema&Itemid=67: Website acessado em 12/04/2012

http://pt.wikipedia.org/wiki/Manguebeat: Website acessado em 12/04/2012

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/a_politica_de_saude.pdf: Website acessado em 13/04/2012

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