Políticas de saúde no Brasil – Contextos – Era Vargas

Anna Katharina
Hanna Arruda
Marcela Magalhães
Maria Chiappetta
Natália Rodrigues

CULTURA

 

 

Em um período que constituiu-se após diversos conflitos políticos e sociais pela perspectiva de desenvolvimento urbano em prejuízo do setor agrário-exportador da República Velha, em termos culturais, porém, pode-se dizer que foi muito rico e diversificado.

Getúlio Vargas foi um grande líder no Brasil com grande apelo carismático e populismo. Através do Departamento de Imprensa e Propaganda e do começo do Cine-Jornal, que mostrava em filmes de curta duração as ações do presidente, ele desenvolveu uma estrutura ideológica e política de mídia de massa, registrando festividades das comemorações relativas como ao dia do trabalho e a semana da pátria sendo utilizados ideologicamente e a um momento de lazer para o trabalhador, no Estado Novo, como exercício de poder. Esse lazer proporcionado foi pensando para controle da população e propaganda do governo, atuando como um sistema informativo e de incentivo para elevar a nação e o patriotismo e com isso fortalecendo o regime.

O Estado Novo foi um período fundamental nessa relação do Estado e da classe operária, sendo muito prolífero na produção da cultura e comunicação, com grande papel ativo para com os trabalhadores. Foram produzidos livros, revistas, folhetos, cartazes, o nascimento do rádio popular e programas de rádio com noticiários e inúmeros musicais, o esporte como veículo de fortalecimento do nacionalismo, além de rádionovelas, cine-jornal com os documentários cinematográficos e o investimento nacional e privado no cinema com grandes empresas. Com a instalação do primeiro estúdio cinematográfico no país, foram produzidos dramas populares e comédias musicais. Em 1933 o filme “A voz do carnaval”, se deu a estreia da cantora Carmem Miranda inaugurando o ciclo carnavalesco nessa indústria. Mas foram com as comédias musicais – “Alô, alô, Brasil, alô, alô, Carnaval” também com Carmem Miranda no elenco e “Onde estás, felicidade?” -, que tiveram grande repercussão nacional, lançando atores como Oscarito e Grande Otelo. Já o mercado do livro teve seu crescimento nas décadas de 1930 3 1940. A abertura de editoras se deu a alguns empresários de importação e exportação que se dedicaram a isso, havendo o surgimento de grandes editoras na era Vargas. Na literatura da época, maioria dos intelectuais se dedicava aos gêneros menores que era o romance, o gênero maior era a poesia. Muitas obras foram traduzidas ampliando o mercado de consumidores, pela facilidade em ler em português. Além das traduções existiam as adaptações de livros infanto-juvenis que também possuíam um grande público.

Porém dentre todos esses meios e veículos de comunicação, descritos acima, o rádio foi o mais utilizado por Vargas, passando a ter um alcance a todas as classes sociais, e se estabelecendo nas classes urbanas, pois era de onde vinha o maior apoio político. Depois de ter sido muito utilizado para a promoção do presidente, o rádio passou de ter apenas anúncios culturais e educativos (como concertos, recitais de poesia e palestras) para a utilização de propagandas pagas que anteriormente eram proibidas. Esta época foi a chamada época de “Ouro do Rádio”, no período do Estado Novo.

No teatro

Destaca-se o progresso do teatro na cultura da era Vargas, esta arte tinha em seu objetivo a diversão e o entretenimento, e fez parte do movimentorevolucionário da construção da urbanidade. Este foi um período de muito nacionalismo, com destaque para a construção da “cultura brasileira”. Muitas peças importantes foram retratadas durante esse período havendo uma ascensão dessa arte. Também houve obras que retrataram Getúlio Vargas como personagem, ’Com Getúlio é na Batata’, por exemplo, foi encenada apenas cinco dias depois do presidente ter assumido o governo provisório. Esta é uma celebração à Revolução de 1930 e comemorou as ações de seus principais líderes como forma de legitimar o regime recém-instalado.

Já antes de 1930 se representava no Brasil, mas a partir daí ele apresentou grande progresso começando com o teatrólogo carioca Joraci Camargo que escreveu a peça Deus lhe Pague, especialmente para a interpretação do grande artista Procópio Ferreira, inspirado na história de um mendigo de São Paulo que tinha uma vida dupla sendo mendigo e também milionário.

Muitas personalidades participaram da cena teatral do país durante esse período. Oswald de Andrade, no ano de 1933 transformou a cena nacional com “O Rei da Vela”, representando a cultura da sociedade na época em suas ideias preconceituosas, ele posteriormente abordou o mesmo tema com outras obras. Porém a real transformação foi feita por Renato Viana, Ronald de Carvalho e Heitor Vila-Lobos, com o movimento teatral “Batalha da Quimera”. Outro ressalto é para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), marco na história do teatro brasileiro, foi uma referência nas atividades de lazer para um público intelectualizado.

Em 1937, Getúlio criou o Serviço Nacional de Teatro – SNT, sob a direção de Abadie Faria Rosa. O principal objetivo do teatro era a diversão e o entretenimento. A primeira companhia de teatro do SNT foi a “Comédia Brasileira” estreando com Guerras de Alecrim e da Manjerona, de Antônio José da Silva com montagem de Sadi Cabral.

Em 1938, Pascoal Carlos Magno fundou o Teatro do Estudante sob a direção de Itália Fausto que teve como primeira apresentação a peça Romeu e Julieta.

Os autores nacionais mais apreciados foram: Joraci Camargo; Paulo Magalhães; Oduvaldo Viana; Abadie Faria Rosa; Raimundo Magalhães Júnior; Viriato Correia e Marques Porto.

No início dos anos de 1940, a Companhia “Os Comediantes” criou o moderno teatro brasileiro. Nelson Rodrigues se consagrou como dramaturgo com Vestido de Noiva, em 1941, encenado por esta companhia.

A indústria cinematográfica que era deficitária até 1930, com o apoio do Governo pôde equilibrar-se. Alguns cineastas queriam que o Estado fosse o grande mecenas do cinema brasileiro para que ele pudesse competir como cinema americano. Getúlio decretou, em 1932, a Lei da Obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais. Nesta época, a produção cinematográfica brasileira concentrava-se no Rio de Janeiro, com os estúdios da Cinédia e Brasil-Vita Filmes, que em 1932 lançou sua primeira produção: Onde a Terra Acabou, adaptação do romance Senhora de José de Alencar, que foi dirigido pelo paulista Otávio Gabus Mendes e em 1934 apresentava Favela dos meus Amores que consagrou Armando Louzada que interpretava um malandro tuberculoso e o cantor Sílvio Caldas, além de introduzir no cinema o sentido popular.

Com o Estado Novo o Governo passou a financiar obras patrióticas, tendo destaque o filme O Descobrimento do Brasil de 1937 dirigido por Humberto Mauro com música de Villa-Lobos. Em 1945 a Cinédia fez uma adaptação da obra de Aluísio Azevedo: O Cortiço, dirigido por Luís de Barros, autor de dezenas de filmes como: Samba em Berlim, de 1943 e Samba na Batucada, de 1944, comédias musicais sobre a II Guerra Mundial.

Coube ao Instituto Nacional de Cinema Educativo a tarefa de organizar e editar os filmes e documentários brasileiros. A Divisão de Cinema e Teatro do DIP ficou encarregada de realizar a censura prévia dos filmes e da produção do Cine Jornal Brasileira, de exibição obrigatória. Os documentários cinematográficos mostravam as comemorações e festividades públicas, as realizações do Governo e os atos das autoridades. Havia concursos, com prêmios para os melhores documentários.

Na poesia

Tiveram destaque: Carlos Drummond de Andrade que valorizou o cotidiano e a beleza das coisas corriqueiras; Manoel Bandeira; Murilo Mendes; Augusto Frederico Schmidt; Vinícius de Morais; Cecília Meireles; Mário Quintana e Clarice Lispector.

Gilberto Freire escreveu Casa Grande e Senzala, Ordem e Progresso, Sobrados e Mucamas e Jazigos e Cova Rasa, sempre apresentando uma dualidade antagônica.

Em Casa Grande e Senzala, sua mais importante obra, sistematizou a contribuição positiva do negro para a cultura brasileira, mostrando que entre a casa grande e a senzala existia um caminho de mão dupla, as duas coisas se complementavam e a distância entre elas não era tão grande como podia parecer e muito pelo contrário havia muita proximidade. Tentou dar uma explicação para o fenômeno que se via na cultura açucareira, mostrando a sociedade patriarcal na Zona da Mata do Nordeste.

Gilberto foi buscar a influência das palavras, da cultura, das alimentações, dos hábitos, criando uma fusão entre a casa grande e a senzala. Os senhores de engenho criavam os filhos legítimos e os bastardos juntos, no mesmo local, com uma fusão étnica e cultural, muito maior do que a que ocorreu com o índio.

A música

Foi outra área na qual o Governo investiu, incentivando que se fizessem letras adequadas aos valores pregados pelo regime como: exaltação do trabalho e da nacionalidade. Heitor Villa-Lobos foi a grande personalidade musical associada ao Estado Novo. Desenvolveu a educação musical artística através do canto coral popular e se tornaram famosos os seus corais reunindo milhares de pessoas cantando hinos patrióticos pelo Brasil afora.

A pintura

Também foi utilizada como instrumento de formação cultural. O prédio do Ministério da Educação na Esplanada do Castelo no Rio de Janeiro, construído por ordem de Gustavo Capanema, possui esplêndidos murais de Cândido Portinari expressando a ideologia do regime: evolução econômica, a vida popular e os tipos nacionais com o gaúcho, o sertanejo e o jangadeiro.

A arquitetura

Foi utilizada para documentar a grandiosidade do poder nos moldes da Alemanha e da Itália. Com este intuito no Rio de Janeiro foram construídos, durante os anos de 1930, vários edifícios públicos como: o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Fazenda, na Esplanada do Castelo; o Ministério da Guerra e a Central do Brasil na região da Central do Brasil.

Em outubro de 1931, foi inaugurada a Estátua do Cristo Redentor, no Alto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro.

A arquitetura brasileira procurou novos rumos na gestão de Gustavo Capanema, quando Lúcio Costa foi nomeado Diretor da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, e a arquitetura deixou de ser cópia para ser criação. Em 1942, Oscar Niemeyer deu início à construção do Conjunto da Pampulha em Belo Horizonte, marco de renovação arquitetônica.

No Rio de Janeiro em 1944, foi inaugurado o Aeroporto Santos Dumont e foi construído o Palácio da Cultura, onde funcionou o Ministério de Educação e Cultura, inaugurado em 1945, dois marcos importantes da arquitetura moderna da cidade.

 

REFERÊNCIAS

CUNHA, J.P.P., CUNHA, R.E. Sistema Único de Saúde – SUS: princípios. In: CAMPOS, F.E., OLIVEIRA JÚNIOR, M., TONON, L.M.Cadernos de Saúde. Planejamento e Gestão em Saúde. Belo Horiozonte: COOPMED, 1998.

LEITE, Moreira. Um pioneiro da psicologia social no Brasil. Psicologia USP, São Paulo, v. 11, n. 2, jul./ago. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/>. Acessado em: 24 mar. 2012.

SILVA, Francisco de Assis. História do Brasil. São Paulo: Moderna, 1992. Disponível em: <http://www.marcillio.com/rio/hiregpcu.html >. Acessado em: 04 abr. 2012.

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